sexta-feira, 17 de julho de 2009

Recanto sob a chuva

Marcus Silva
04/2008


As lágrimas vertiam do céu, pequenos refrigérios na quente noite
O coração se aquecia, no entanto, ainda que sob açoite
O verde da praça, agora lavado, não era o mesmo verde que fitava o céu
A gueixa, ainda em poucos trajes, recostara na janela para observar
No ritmo das gotas que despencavam piedosamente, pés se entrelaçavam
Os corpos gingavam e giravam com cadência, todos dançavam
Dois sorrisos loiros, dois ritmos, duas formas diferentes de dançar
Mas a gueixa de olhos verdes como o outono também sabia balançar
Uma só noite, uma chuva, um só recanto, uma só praça
Ébano, ouro, esmeralda, uma só graça
Aquele que pulsava sob açoite no início da noite, sem esperança
Agora, em meio ao som, o frescor do vento pluvial, da fumaça e do ar etílico
Conseguia dançar feliz, com a mesma preocupação que tem uma criança.

Um comentário:

Caroline Meyer disse...

DEPOIS EU QUE SOU POETA...AMEI!