domingo, 19 de outubro de 2008

O Violão

Há muito tempo, um violão foi criado
Suas cordas sempre esticadas, um som sempre afinado
Sua madeira era lustrosa, parecia encerado
Braço pequeno e fino, corpo delgado e leve
Tarrachas brilhosas, cores marfim e ébano
Com tampo espelhado, pois outro não serve
Muitas músicas este Violão tocou
E seu corpo, com cada melodia vibrou
Não é perfeita sua acústica, mas seu som é limpo e alto
Tremolos, vibratos, alegros e andantes
Perfeita companhia para a voz de uma contralto
Seis cordas, doze casas, tantas possibilidades
Mas um violão também tem suas fragilidades
E um dia, eis que uma corda se arrebenta
E no meio de uma canção doce e lenta
O Violão parou de tocar
E ainda que cordas possam ser trocadas
Com o pesar das melodias já tocadas
Não será mais o mesmo Violão a vibrar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Dança e os fantasmas do passado!

Que deleite para a mente, para a alma e para o corpo é a dança. Tantos anos da minha vida dançando e ensinando outras pessoas a dançar; sentindo junto delas a felicidade de superar limites, de conquistar o próprio corpo, de disciplinar a mente em busca da sintonia perfeita entre a melodia e os movimentos.
Os últimos quatro anos dançando, em especial, foram de muita valia, muitas experiências e muitas experimentações, saindo da minha zona de conforto para me aventurar onde não havia estado antes.
Posso dizer que foram impulsos do amor; não saberia descrever de maneira diferente. A dança apaixona e faz querer mais e melhor. Você nunca está satisfeito com um determinado resultado e vive treinando para fazer qualquer melhoria.
Os parceiros de dança, os alunos e os olhares de curiosos também impulsionam nessa corrida frenética. Os parceiros, como o próprio nome diz, são seus cúmplices, sabem até onde você consegue ir, o que você consegue fazer, como você pode superar um limite. Sentem a sua dor, comemoram sua vitória, vibram junto contigo em cada resultado positivo, seja num simples ensaio, festival de danças, concurso.
Os alunos estão sempre ávidos de novos conhecimentos, na expectativa de aprender o que ainda não sabem, de fazer aquilo que estão sonhando, de dançar com os professores ou como eles.
Os olhares curiosos ficam na dúvida de serem capazes de fazer tudo aquilo: alongar como loucos, manter o corpo em forma, piruetas, saltos, coordenar braços e pernas, trabalhar a expressão corporal.
Ah, os festivais!!! Que deleite é o passar do semestre ensaiando coreografias novas para apresentar aos parentes, amigos e demais convidados de nossos alunos... Um semestre de ensaio e tudo termina em 2 gloriosas horas de luz, cor, brilho e movimento.
É como uma paquera, um flerte, às antigas: primeiro as pessoas se conhecem, se olham, se insinuam, se desejam em segredo, até que um dia, sem mais poder esconder nem de si mesmas, elas se dão o primeiro beijo; apaixonado, caloroso, vibrante.
É tudo tão rápido e ainda assim, tão prazeiroso. Jamais saberia colocar em palavras o que isso significa e o quanto isso faz falta na vida de alguém.
Lembro-me e sinto saudades da gripe por ensaiar na chuva para apresentação em shopping, de viajar para Teófilo Otoni para ensinar, de abraçar os amigos chorando por ganhar a chance de ir pra Portugal, da primeira experimentação tango/ballet/street dance (quanta história de vida isso rendeu nos próximos 4 anos!), de ser egípcio descalço em Varginha num frio de dar medo em esquimó, de ser chinês street dancer, árabe de uma princesa só, malandro de uma garota de Ipanema em BH, príncipe de um cisne negro, barbeiro pobre em Cevilha, levar dois tiros de aviso na cabeça dançando outro tango, palhacinho triste de uma palhaçinha feliz e tantos outros...
Só quem dança é que pode saber e também não saberá explicar... é como sentir falta da própria água que sustenta o corpo.
E como a vida muda, transforma e atualiza, na impossibilidade de voltar aos palcos, festivais, concursos, ensaios dia de domingo, treinos especiais de sexta à tarde e sábados pela manhã, eu me voltei para o forró de cada sexta à noite, hehehehehe! Minha forma de manter o que sobrou do ritmo no corpo, ainda que a chama perene da dança queime profundamente n'alma!
Quem esteve comigo nesse tempo todo, como alunos (as), como parceiras de dança, como aqueles que acompanharam ainda que sem dançar, sabem o quanto eu amo tudo isso e sabem que o meu sonho de vida é morrer dançando!!!
O fim perfeito para o terceiro ato da minha peça de vida!
Não fossem as dificuldades que a própria vida impõe para nos fazer progredir, eu teria ido, com certeza, até o fim...
Dançarinos e dançarinas (de todas as danças e estilos), amem e vivam a dança. Não há melhor recompensa.

sábado, 11 de outubro de 2008

Frustração

Bom dia, pessoas!!!

Antes de parecer EMO com as coisas que pretendo dizer, gostaria de ressaltar que NÃO estou, de maneira alguma deprimido, sofrendo, ou qualquer uma dessas coisas EMO do tipo e com sinceras desculpas a qualquer EMO de plantão lendo este post.
E não estou porque posso afirmar com certeza que quase tudo na minha vida está até muito bem e, neste momento, peço a Deus proteção contra os invejosos conscientes ou inconscientes que ainda não aprenderam a da valor ao esforço alheio ou implementar os próprios passos na conquista de suas próprias vitórias.
Entretanto, eu disse 'quase' tudo; há coisas que nem por muito esforço me parece possível alcançar. E não atingir certas metas me frustra sobremaneira; a sensação insopitável de falha me preenche a alma; essa seria a melhor maneira para poder descrever o que sinto.
Me disseram uma vez que 'o que não tem remédio, remediado já está', mas considerando o curso dos eventos vou ser obrigado a lançar anátema nesta frase da sabedoria popular, que nem sempre costuma ser assim tão sábia, costuma apenas mostrar nossos medos, anseios, preconceitos e outras facetas negativas de nossa personalidade ou cultura.
De qualquer forma... estando ou não remediada minha frustração, só o que eu posso fazer é mesmo conviver com isso e deixar pra lá. Neste momento, não creio poder fazer nada a mais do que já faço ou fiz para galgar mais este degrau. Portanto, vou fazer como o modelo sugere: 'erguer a cabeça, respirar fundo, encher o peito e dizer em alto e bom tom: FOOOOOOOO...-SE!!!'

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Amizade

Por difícil que seja a tarefa de resumir os últimos 7 ou 8 meses, vou tentar fazê-lo. Vou tentar para pelo menos fazer jus a alguns eventos, situações e pessoas que entraram na minha vida ou que saíram dela.
Posso dizer que esses meses foram meses de altos e baixos; muitas vezes de quedas emocionais profundas e alguns momentos de alegria. Acho que estou recuperado agora. O porquê? Amizade.
Esse sentimento nobre, singelo, forte, sincero, que nos faz aprender tolerância, respeito, sinceridade, honestidade, cumplicidade (sem "passar a mão na cabeça"), vontade de dividir experiências, de dar apoio, suporte, de caminhar lado a lado; de lembrar sempre do outro e torcer para que esteja bem, para que se sinta feliz, mesmo que você não esteja por perto para dar a mão nos momentos de tropeço.
Deus, que é infinitamente bom para com todos, foi bom comigo este ano também, sobretudo depois de um dos momentos mais difíceis que já experimentei. Logo de cara, bem no princípio, um amigo despontou no horizonte e, mesmo debaixo de chuva torrencial, conseguiu, a poder de táxi, chegar à minha casa, para me ouvir chorar. Um outro, no dia anterior, me levou para sair e tentar distrair minha mente em monoidéia e também esteve próximo o tempo todo, incentivando.
Mas a vida sempre reserva muitas surpresas e não foi diferente comigo: conheci tanta gente nestes últimos meses que fiquei sem postar e todas foram e são agora pessoas importantes na minha vida. Não sei o que teria sido de mim sem elas, pois eu não tinha chão, não tinha pousada para minha cabeça, nem sossego no coração e, aos poucos, elas foram entrando na minha vida e me ajudando a mudar meus pensamentos, minha forma de ver e sentir as coisas.
Talvez eu nunca possa realmente agradecer a estas pessoas de maneira apropriada, o que me faz pensar que Amizade talvez seja para isso: viver a vida fazendo o mesmo por elas e por outras pessoas no caminho, a fim de se sentir "quites".
Não vou aqui citar os nomes, porque elas sabem quem são e se não suspeitam, é porque a modéstia as impede disso, o que as torna ainda mais especiais.
Esta pequena e simplória reflexão me fez questionar um fato:
  • Por que não conseguimos desenvolver, via de regra, o sentimento puro e verdadeiro de amizade em um relacionamento a dois? Na verdade, desenvolvemos sentimentos contrários à amizade neste tipo de relacionamento: ciúmes, posse, desrespeito, intolerância, vontade de mudar o outro, sem falar na traição. Sim, homens e mulheres traem, sem saber que estão traindo a si mesmos, desrespeitando a si mesmos, na crença ilusória de que estão por cima da carne seca. Quando é que um amigo sincero trairia outro amigo e com qual propósito? Quando é que um amigo tentaria mudar a cabeça do outro sem compreender-lhe e respeitar-lhe os motivos, dando subsídios para que o outro tivesse vontade de mudar por si próprio? Quando é que um amigo acredita ser perfeito para saber o que o outro realmente precisa e, neste caso, apenas está ali, ouvindo e apoiando você? Quando é que um amigo deixa de falar o que você realmente precisa ouvir, ainda que de maneira absolutamente educada? Mais importante: quando é que um amigo deixa de querer e fazer o que lhe é possível para que você seja feliz, mesmo em sua ausência física?
Pois é. De janeiro para cá eu pude, no fringir dos ovos, descobrir este tipo de coisa em relação àqueles que me cercavam e vim a descobrir quem são meus amigos, quem se tornou amigo e quem nunca foi, de fato, um amigo. Estar sempre junto, rir junto, conversar, viajar e dividir espaço de convivência com outras pessoas não faz delas suas amigas... é necessário um tanto mais que isso.
E àqueles que nesses meses têm sido verdadeiros Heroes na minha vida, só posso por agora dizer: MUITO OBRIGADO!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

E 7 meses depois...

Bom dia, caros leitores... se é que eu ainda tenho algum, depois de 7 meses sem compartilhar meus momentos...

Mas por causa de uma amiga, alguém com um mínimo de noção, cultura, senso de humor e muita inteligência, resolvi voltar a redigir aqui aquilo que passa à minha mente.

Obrigado, Cissa! Você devolveu minha vontade de escrever, kkkk!!!

Tanta coisa aconteceu nesses últimos 7 meses... mas vou tentar "não entrar em pânico" e organizar as idéias conforme elas vêm à minha mente. Escrever é uma excelente terapia, para quem sabe o poder que as palavras têm na vida.

Por enquanto é isso. Um breve OI para que voltem, por favor, a acompanhar meus escritos.

Grande abraço e até!