Que deleite para a mente, para a alma e para o corpo é a dança. Tantos anos da minha vida dançando e ensinando outras pessoas a dançar; sentindo junto delas a felicidade de superar limites, de conquistar o próprio corpo, de disciplinar a mente em busca da sintonia perfeita entre a melodia e os movimentos.
Os últimos quatro anos dançando, em especial, foram de muita valia, muitas experiências e muitas experimentações, saindo da minha zona de conforto para me aventurar onde não havia estado antes.
Posso dizer que foram impulsos do amor; não saberia descrever de maneira diferente. A dança apaixona e faz querer mais e melhor. Você nunca está satisfeito com um determinado resultado e vive treinando para fazer qualquer melhoria.
Os parceiros de dança, os alunos e os olhares de curiosos também impulsionam nessa corrida frenética. Os parceiros, como o próprio nome diz, são seus cúmplices, sabem até onde você consegue ir, o que você consegue fazer, como você pode superar um limite. Sentem a sua dor, comemoram sua vitória, vibram junto contigo em cada resultado positivo, seja num simples ensaio, festival de danças, concurso.
Os alunos estão sempre ávidos de novos conhecimentos, na expectativa de aprender o que ainda não sabem, de fazer aquilo que estão sonhando, de dançar com os professores ou como eles.
Os olhares curiosos ficam na dúvida de serem capazes de fazer tudo aquilo: alongar como loucos, manter o corpo em forma, piruetas, saltos, coordenar braços e pernas, trabalhar a expressão corporal.
Ah, os festivais!!! Que deleite é o passar do semestre ensaiando coreografias novas para apresentar aos parentes, amigos e demais convidados de nossos alunos... Um semestre de ensaio e tudo termina em 2 gloriosas horas de luz, cor, brilho e movimento.
É como uma paquera, um flerte, às antigas: primeiro as pessoas se conhecem, se olham, se insinuam, se desejam em segredo, até que um dia, sem mais poder esconder nem de si mesmas, elas se dão o primeiro beijo; apaixonado, caloroso, vibrante.
É tudo tão rápido e ainda assim, tão prazeiroso. Jamais saberia colocar em palavras o que isso significa e o quanto isso faz falta na vida de alguém.
Lembro-me e sinto saudades da gripe por ensaiar na chuva para apresentação em shopping, de viajar para Teófilo Otoni para ensinar, de abraçar os amigos chorando por ganhar a chance de ir pra Portugal, da primeira experimentação tango/ballet/street dance (quanta história de vida isso rendeu nos próximos 4 anos!), de ser egípcio descalço em Varginha num frio de dar medo em esquimó, de ser chinês street dancer, árabe de uma princesa só, malandro de uma garota de Ipanema em BH, príncipe de um cisne negro, barbeiro pobre em Cevilha, levar dois tiros de aviso na cabeça dançando outro tango, palhacinho triste de uma palhaçinha feliz e tantos outros...
Só quem dança é que pode saber e também não saberá explicar... é como sentir falta da própria água que sustenta o corpo.
E como a vida muda, transforma e atualiza, na impossibilidade de voltar aos palcos, festivais, concursos, ensaios dia de domingo, treinos especiais de sexta à tarde e sábados pela manhã, eu me voltei para o forró de cada sexta à noite, hehehehehe! Minha forma de manter o que sobrou do ritmo no corpo, ainda que a chama perene da dança queime profundamente n'alma!
Quem esteve comigo nesse tempo todo, como alunos (as), como parceiras de dança, como aqueles que acompanharam ainda que sem dançar, sabem o quanto eu amo tudo isso e sabem que o meu sonho de vida é morrer dançando!!!
O fim perfeito para o terceiro ato da minha peça de vida!
Não fossem as dificuldades que a própria vida impõe para nos fazer progredir, eu teria ido, com certeza, até o fim...
Dançarinos e dançarinas (de todas as danças e estilos), amem e vivam a dança. Não há melhor recompensa.