sexta-feira, 17 de julho de 2009

Recanto sob a chuva

Marcus Silva
04/2008


As lágrimas vertiam do céu, pequenos refrigérios na quente noite
O coração se aquecia, no entanto, ainda que sob açoite
O verde da praça, agora lavado, não era o mesmo verde que fitava o céu
A gueixa, ainda em poucos trajes, recostara na janela para observar
No ritmo das gotas que despencavam piedosamente, pés se entrelaçavam
Os corpos gingavam e giravam com cadência, todos dançavam
Dois sorrisos loiros, dois ritmos, duas formas diferentes de dançar
Mas a gueixa de olhos verdes como o outono também sabia balançar
Uma só noite, uma chuva, um só recanto, uma só praça
Ébano, ouro, esmeralda, uma só graça
Aquele que pulsava sob açoite no início da noite, sem esperança
Agora, em meio ao som, o frescor do vento pluvial, da fumaça e do ar etílico
Conseguia dançar feliz, com a mesma preocupação que tem uma criança.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

sábado, 14 de março de 2009

E mais um ano começou...

É, eu sei, não reclamem muito. Eu sei que eu abandono meu Blog e daqui a pouco ele tem que fazer terapia por complexo de abandono... mas estou aqui.

O ano começou, já caminha célere para o desfecho e eu resolvi começar a escrever novamente.
Mas tanta coisa tem acontecido que até vale a pena colocar no "papel" alguns pensamentos.

Finalmente a sensação de estagnação, de "vácuo", e aquelas outras sensações de privação sensorial, mental, emocional e moral estão se esvaindo. Imagino que eu finalmente tenha entrado como nova pessoa este ano.

Algumas coisas acontecem de maneira inesperada, coisas que ansiamos para que aconteçam e quando finalmente aparecem você fica um pouco "desnorteado", sem saber o que fazer.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

At the window

I'm always at the window watching...
Life is happening, still I'm here just standing
At the window I can see the rain
Drops falling from sky, cleaning the air
But all I can do is feel my own pain
The day woke up gray and sad
And I don't think it's fair
Perhaps I'm going mad
Day, night, life, rain, sun, sounds
And I'm standing here at the window
Waiting and praying
Watching and dying
But life goes on...

domingo, 19 de outubro de 2008

O Violão

Há muito tempo, um violão foi criado
Suas cordas sempre esticadas, um som sempre afinado
Sua madeira era lustrosa, parecia encerado
Braço pequeno e fino, corpo delgado e leve
Tarrachas brilhosas, cores marfim e ébano
Com tampo espelhado, pois outro não serve
Muitas músicas este Violão tocou
E seu corpo, com cada melodia vibrou
Não é perfeita sua acústica, mas seu som é limpo e alto
Tremolos, vibratos, alegros e andantes
Perfeita companhia para a voz de uma contralto
Seis cordas, doze casas, tantas possibilidades
Mas um violão também tem suas fragilidades
E um dia, eis que uma corda se arrebenta
E no meio de uma canção doce e lenta
O Violão parou de tocar
E ainda que cordas possam ser trocadas
Com o pesar das melodias já tocadas
Não será mais o mesmo Violão a vibrar.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Dança e os fantasmas do passado!

Que deleite para a mente, para a alma e para o corpo é a dança. Tantos anos da minha vida dançando e ensinando outras pessoas a dançar; sentindo junto delas a felicidade de superar limites, de conquistar o próprio corpo, de disciplinar a mente em busca da sintonia perfeita entre a melodia e os movimentos.
Os últimos quatro anos dançando, em especial, foram de muita valia, muitas experiências e muitas experimentações, saindo da minha zona de conforto para me aventurar onde não havia estado antes.
Posso dizer que foram impulsos do amor; não saberia descrever de maneira diferente. A dança apaixona e faz querer mais e melhor. Você nunca está satisfeito com um determinado resultado e vive treinando para fazer qualquer melhoria.
Os parceiros de dança, os alunos e os olhares de curiosos também impulsionam nessa corrida frenética. Os parceiros, como o próprio nome diz, são seus cúmplices, sabem até onde você consegue ir, o que você consegue fazer, como você pode superar um limite. Sentem a sua dor, comemoram sua vitória, vibram junto contigo em cada resultado positivo, seja num simples ensaio, festival de danças, concurso.
Os alunos estão sempre ávidos de novos conhecimentos, na expectativa de aprender o que ainda não sabem, de fazer aquilo que estão sonhando, de dançar com os professores ou como eles.
Os olhares curiosos ficam na dúvida de serem capazes de fazer tudo aquilo: alongar como loucos, manter o corpo em forma, piruetas, saltos, coordenar braços e pernas, trabalhar a expressão corporal.
Ah, os festivais!!! Que deleite é o passar do semestre ensaiando coreografias novas para apresentar aos parentes, amigos e demais convidados de nossos alunos... Um semestre de ensaio e tudo termina em 2 gloriosas horas de luz, cor, brilho e movimento.
É como uma paquera, um flerte, às antigas: primeiro as pessoas se conhecem, se olham, se insinuam, se desejam em segredo, até que um dia, sem mais poder esconder nem de si mesmas, elas se dão o primeiro beijo; apaixonado, caloroso, vibrante.
É tudo tão rápido e ainda assim, tão prazeiroso. Jamais saberia colocar em palavras o que isso significa e o quanto isso faz falta na vida de alguém.
Lembro-me e sinto saudades da gripe por ensaiar na chuva para apresentação em shopping, de viajar para Teófilo Otoni para ensinar, de abraçar os amigos chorando por ganhar a chance de ir pra Portugal, da primeira experimentação tango/ballet/street dance (quanta história de vida isso rendeu nos próximos 4 anos!), de ser egípcio descalço em Varginha num frio de dar medo em esquimó, de ser chinês street dancer, árabe de uma princesa só, malandro de uma garota de Ipanema em BH, príncipe de um cisne negro, barbeiro pobre em Cevilha, levar dois tiros de aviso na cabeça dançando outro tango, palhacinho triste de uma palhaçinha feliz e tantos outros...
Só quem dança é que pode saber e também não saberá explicar... é como sentir falta da própria água que sustenta o corpo.
E como a vida muda, transforma e atualiza, na impossibilidade de voltar aos palcos, festivais, concursos, ensaios dia de domingo, treinos especiais de sexta à tarde e sábados pela manhã, eu me voltei para o forró de cada sexta à noite, hehehehehe! Minha forma de manter o que sobrou do ritmo no corpo, ainda que a chama perene da dança queime profundamente n'alma!
Quem esteve comigo nesse tempo todo, como alunos (as), como parceiras de dança, como aqueles que acompanharam ainda que sem dançar, sabem o quanto eu amo tudo isso e sabem que o meu sonho de vida é morrer dançando!!!
O fim perfeito para o terceiro ato da minha peça de vida!
Não fossem as dificuldades que a própria vida impõe para nos fazer progredir, eu teria ido, com certeza, até o fim...
Dançarinos e dançarinas (de todas as danças e estilos), amem e vivam a dança. Não há melhor recompensa.

sábado, 11 de outubro de 2008

Frustração

Bom dia, pessoas!!!

Antes de parecer EMO com as coisas que pretendo dizer, gostaria de ressaltar que NÃO estou, de maneira alguma deprimido, sofrendo, ou qualquer uma dessas coisas EMO do tipo e com sinceras desculpas a qualquer EMO de plantão lendo este post.
E não estou porque posso afirmar com certeza que quase tudo na minha vida está até muito bem e, neste momento, peço a Deus proteção contra os invejosos conscientes ou inconscientes que ainda não aprenderam a da valor ao esforço alheio ou implementar os próprios passos na conquista de suas próprias vitórias.
Entretanto, eu disse 'quase' tudo; há coisas que nem por muito esforço me parece possível alcançar. E não atingir certas metas me frustra sobremaneira; a sensação insopitável de falha me preenche a alma; essa seria a melhor maneira para poder descrever o que sinto.
Me disseram uma vez que 'o que não tem remédio, remediado já está', mas considerando o curso dos eventos vou ser obrigado a lançar anátema nesta frase da sabedoria popular, que nem sempre costuma ser assim tão sábia, costuma apenas mostrar nossos medos, anseios, preconceitos e outras facetas negativas de nossa personalidade ou cultura.
De qualquer forma... estando ou não remediada minha frustração, só o que eu posso fazer é mesmo conviver com isso e deixar pra lá. Neste momento, não creio poder fazer nada a mais do que já faço ou fiz para galgar mais este degrau. Portanto, vou fazer como o modelo sugere: 'erguer a cabeça, respirar fundo, encher o peito e dizer em alto e bom tom: FOOOOOOOO...-SE!!!'